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Em 2014, que tal olhar para além do Facebook?

Não é de hoje que analistas enxergam um “cansaço” com a maior e mais conhecida rede social do mundo, o Facebook. Já em fevereiro de 2012 falamos aqui sobre uma pesquisa que mostrava que, com cada vez mais pessoas de todas as idades e perfis fazendo parte do site de Mark Zuckerberg, os usuários mais jovens, principalmente os adolescentes, estavam começando a migrar para outras redes onde poderiam ter mais privacidade para interagir sem adultos por perto. Na época, o Twitter era o principal destino dos “teens”.

Em junho deste ano, mostramos novos dados parecendo confirmar que os usuários mais jovens, mesmo os que não  deletavam seu perfil do Facebook, estavam com seus olhos e atenção cada vez menos tempo voltados para o “Feice”. A esta altura, o Instagram já era o aplicativo mais popular que os adolescentes acessam por celular para ver e compartilhar suas fotos. Isto mostra que Mark Zuckerberg fez muito bem em desembolsar US$ 1 bilhão para comprar o “Insta” em abril de 2012 e neutralizar este concorrente.

Agora, são outros os aplicativos que “roubam” os olhos e a atenção da garotada do ambiente do Facebook, e dos conteúdos promocionados que sustentam financeiramente o império de Zuckerberg: além do Twitter, do Instagram, Tumblr, Pinterest e de todas as outras “telas” e mídias que brigam por tempo de olhos e atenção voltados para elas, as mensagens instantâneas voltaram com tudo em nova roupagem, com Apps para celular modernos, funcionais, divertidos e fáceis de usar, como o WhatsApp e o Snapchat. O Facebook fez em novembro uma proposta de US$ 3 bilhões para comprar o Snapchat, que foi recusada.

Esta tendência é mais forte entre os adolescentes, mas não só. Em um artigo do New York Times,  com o título “Ainda no Facebook, mas achando cada vez menos coisas para curtir”, a repórter de tecnologia Jenna Wortham, que definitivamente não é mais uma adolescente, disse que nos últimos anos a grande maioria de sua atividade online acontecia dentro do Facebook, mas ultimamente tem usado menos a rede, principalmente porque muitos dos seus familiares e amigos também têm postado muito menos. No texto, ela informa que o Facebook pela primeira vez admitiu publicamente uma queda na atividade dos usuários. Segundo ela, o Chief Financial Officer do Facebook David A. Ebersman afirmou na última reunião de divulgação de resultados trimestral que notou um “declínio em usuários diários, principalmente entre os adolescentes mais jovens”.

Na matéria, foi entrevistado o sociólogo e estudioso da internet Nathan Jurgenson, que recentemente foi contratado pelo Snapchat para realizar pesquisas de mercado. Ele afirma que o Facebook virou meio que um shopping center: “é limpo demais e policiado demais”, e não um playground onde a garotada pode se divertir e serem eles mesmos. “As pessoas ficam circulando, olhando por janelas onde podem espiar a vida dos outros, por falta de algo melhor para fazer online”, afirma.  Pode parecer estranho que, com cada vez mais usuários de todos os perfis, idades e preferências utilizando seus serviços, o Facebook esteja mais “chato”, mas para S. Shyam Sundar, diretor do Media Effects Research Lab (Laboratório de Pesquisa sobre os Efeitos da Mídia) da Pennsylvania State University, isso fez com o que o Facebook se tornasse “um utilitário, como uma operadora de telefonia. As pessoas vão ao Facebook para documentar os principais eventos da sua vida e acompanhar os das outras pessoas. É um lugar onde todo mundo está, que tem um propósito e um lugar, mas não representa necessariamente onde as pessoas desejam estar com frequência”.

Aqui no Brasil também já começa a se falar sobre esse “cansaço” do Facebook. Uma matéria do G1 entrevistou adolescentes que confirmam estar mais ligados nas mensagens do WhatsApp ou nas fotos do Instagram do que no Face. É interessante notar como os comentários da garotada corroboram as teorias dos especialistas ouvidos pelo New York Times. E em um especial do Scup Ideas sobre as principais tendências das mídias sociais no Brasil para 2014, que entrevistou 50 especialistas em mídias sociais, Ana Brambilia, editora de mídias sociais da Editora Globo, professora e uma das mais respeitadas estudiosas da área, cravou o “cansaço” do Facebook como principal tendência para o novo ano.

Entre os fatores que ela enumera para a saturação da plataforma, estão:  “a perda do caráter social, influenciado pela artificialidade do edge rank (que rege o modelo de negócio do Facebook, amparado pela visibilidade); saturação de formatos publicitários que, apesar de mostrarem conteúdo ultra segmentado, há muito deixou de ser natural e já soa irritante; superpopulação e consequente perda de privacidade: meus pais, meus tios, meus professores estão no Facebook e me censuram por este ou aquele post; abandono em escala: se meus amigos começam a se distanciar do Facebook, logo perco a principal razão para estar nessa rede; e adoção de ferramentas mais específicas (com um só foco de interesse ou funcionalidade) e direcionamento para mobile: WhatsApp, Instagram, jogos, revitalização do MySpace para música e etc.”.

As frequentes polêmicas envolvendo violações de privacidade, casos de exposição de intimidade e consequências “reais” por comentários aparentemente inofensivos postados na rede também são citados como fatores para o afastamento principalmente dos usuários mais jovens. E como essa tendência que parece ser consistente vai afetar a gente, que trabalha gerando conteúdo para as mídias sociais? Nós que estamos nesta “lida” diariamente sabemos que está cada vez mais difícil conseguir atingir o público com o conteúdo das páginas do Facebook, e que é preciso mais e mais dinheiro pingando na conta do “seu” Zuckerberg para as postagens atingirem os fãs. Recentemente o Facebook admitiu para o mercado que o alcance orgânico dos posts tende a cair ladeira abaixo nos próximos dias. Agora, para atingir a sua própria base de fãs, as marcas terão que pagar para que o conteúdo gerado seja entregue na timeline de quem curte a página.

E será que, mesmo assim, os fãs estão interessados? A interface do Facebook está cada vez mais saturada de anúncios que muitas vezes, apesar dos sofisticados algoritmos, simplesmente não interessam a quem está vendo. Na semana que vem vamos falar mais sobre o assunto e apresentar algumas soluções para este caso. Calma, nem tudo está perdido :D

A neutralidade da rede está ameaçada?

A revista Wired, considerada a “Bíblia” da Era Digital, lança um alerta em um artigo de opinião assinado por Marvin Amori: a internet como você conhece (e ama), vai acabar. Ainda não se sabe quando, mas o destino é inevitável. No caso, a “internet como a gente conhece” que está ameaçada é um dos seus princípios mais básicos: a chamada “neutralidade da rede”.  Explicando grosseiramente, neutralidade da rede quer dizer que as empresas de telecomunicação e provedores de acesso que levam a internet até a sua casa não podem discriminar o tipo de dado que você acessa. Não pode, por exemplo, vender um pacote de internet que só dê acesso a e-mail e redes sociais, ou limitar a velocidade de acesso a quem baixa muito conteúdo em sites de torrent.

Hoje, você contrata um plano de internet banda larga de determinada velocidade e teoricamente pode acessar qualquer tipo de conteúdo com esta mesma velocidade (que, claro, quase sempre é na prática menor que a anunciada, para saber qual sua velocidade real, clique aqui). Sem a neutralidade da rede, sua operadora de internet pode cobrar mais caro se você faz muitos downloads, ou até bloquear o acesso a torrents, vídeos e outros serviços que eles considerem impróprios.

Segundo o artigo da Wired, é justamente isso que as grandes empresas de telecomunicações que controlam a infraestrutura da internet querem, e nos Estados Unidos, país que é sede da maioria destas empresas e por onde circula a maior parte dos dados da internet, elas estão próximas de conseguir este objetivo. O texto informa que nos próximos meses o tribunal federal do Distrito de Colúmbia, onde fica a capital norte-americana Washington, e que na prática é o segundo tribunal mais poderoso dos EUA, atrás apenas da Suprema Corte, deve votar para  derrubar a lei de neutralidade da rede adotada em 2010 pela Federal Communications Comission (FCC), o órgão que controla as telecomunicações no país.

Em 2006 uma decisão da FCC determinou que os provedores não podiam bloquear acesso a determinados websites, mas poderiam fazer o “traffic shaping”, ou seja, limitar a velocidade de acesso a estes sites. Uma intensa campanha liderada por empresas de tecnologia e ativistas levou a FCC a derrubar essa regra em 2010. As grandes empresas de telecom americanas, lideradas por AT&T, Verizon e Comcast, recorreram e a decisão final deve sair em breve, e segundo o autor do texto, que acompanhou de perto os debates, os juízes devem decidir a favor das operadoras de telefonia. E para ele, isso pode significar uma mudança radical do mercado, em que empresas de tecnologia, web e mobile vão sobreviver não por suas inovações ou oferta de serviços de qualidade, mas pela capacidade de fazer acordos com as operadoras e pagar para que o acesso aos seus serviços não seja discriminado. Para ele, isso seria o fim da meritocracia na rede. Uma nova startup com ideias inovadoras, bons profissionais e investidores, pode não sobreviver se as operadoras “não forem com a cara” do serviço que ela oferece.

E aqui no Brasil? Todos sabemos que as empresas de telecomunicações que provém o acesso à internet por aqui têm sérios problemas de infraestrutura e investimento, o que leva à uma baixa qualidade geral no acesso à internet, com velocidades sempre bem menores do que as anunciadas, frequentes quedas de sinal e cobrando preços salgados, e já foi comprovado que muitas operadoras fazem o traffic shaping. No Brasil também vivemos um suspense sobre o futuro da internet. Já há algum tempo tramita no Congresso Nacional, entre muitas idas e vindas e indefinições, o projeto de lei do Marco Civil da Internet, uma espécie de “constituição” da rede, que garanta os direitos e deveres dos usuários e provedores. Com a revelação da espionagem por parte da NSA (Agência de Segurança Nacional) dos Estados Unidos de mensagens e dados da presidenta Dilma Rousseff e de empresas como a Petrobras, a votação do Marco Civil entrou em regime de urgência na Câmara dos Deputados, e o governo federal pediu para o relator Alessandro Molon (PT-RJ) incluir no texto novos pontos que estão sendo fortemente contestados, como a obrigatoriedade da criação de data centers no Brasil para o armazenamento de dados dos usuários brasileiros. Uma das vozes críticas a esta inciativa é de Carlos A. Afonso, membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil, em artigo para o portal IDGNow!

A neutralidade da rede é considerada o principal ponto do projeto do Marco Civil, que foi construído em um processo colaborativo através de audiências públicas, mas que após chegar ao Congresso foi alvo de um intenso lobby das teles brasileiras e de grandes grupos de mídia, em especial a Globo. O relator diz que a neutralidade é um ponto inegociável do projeto, informa uma matéria do portal G1, mas outras questões, como os data centers sediados no Brasil, devem ser alterados. Nesta terça-feira (5), o deputado apresentou a versão final do relatório.

Outra matéria, do portal Telesíntese, especializado no mercado de telecomunicações, informa que as teles e a Globo, que até então divergiam na questão na neutralidade da rede, fecharam um acordo que mantém o conceito de neutralidade, mas mantendo o “traffic shaping”, uma proposta bem parecida com a apresentada nos Estados Unidos. Além disso, a proposta libera as teles para cobrar por volume de dados transmitidos, algo que a Globo até agora era radicalmente contra, pois considerava que podia ter impacto na audiência de seus produtos audiovisuais transmitidos pela internet.

Bem, o assunto é complexo e envolve diversas questões técnicas, mas interessa a todos nós que buscamos informação e trabalhamos na internet! Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos, mas por hora, qual é a sua opinião sobre essa questão? Compartilhe seu pensamento com a gente nos comentários!

Como não ser prisioneiro do seu gadget

Você é daqueles que antes mesmo de sair da cama pega o smartphone para checar o e-mail, o Twitter, o Facebook, o Instagram? E à noite, é capaz de dormir segurando o celular como se fosse um bichinho de pelúcia? Na happy hour, os amigos reclamam que em vez de conversar você fica só mexendo no celular? Quando vai a um show, fica tirando fotos e gravando vídeos e acaba vendo o artista que está lá, ao vivo na sua frente, pela telinha do iPhone? Talvez você tenha um problema. E não está sozinho. A compulsão por estar sempre conectado já é reconhecido como um distúrbio, e com a popularização dos gadgets que estão sempre ligados, afeta cada vez mais gente.

A jornalista Marion Strecker é uma das pioneiras da internet no Brasil. Foi co-fundadora do UOL e diretora de conteúdo do portal de 1996 a 2011, além de ser correspondente no Vale do Silício. Em suas colunas para a Folha de S. Paulo, ela mostra um olhar crítico à dimensão que a internet ganhou nas nossas vidas, e nas mais recentes, admite ser viciada em internet. Mas como ela identificou o vício? “A produtividade em queda, a ansiedade em alta, a mania de pular de aparelho em aparelho, de aplicativo em aplicativo, de rede social em rede social, sem necessidade nenhuma, sem objetivo definido, vagando pelo mundo on-line como zumbi”.

Ela diz que está tentando mudar isso, e garante que não tinha nenhuma compulsão ou vício antes de se dar conta que está viciada na internet. Entre as medidas para tentar superar a compulsão, ela restringiu o Facebook para funcionar apenas como uma agenda de contatos e “proibiu” os gadgets ligados à rede dentro do quarto de dormir, e diz estar preocupada com a filha de 14 anos, que fica o dia inteiro grudada no iPhone para falar com os amigos pelo Facebook, Twitter, WhatsApp, Instagram, etc. Em uma coluna, mostra como ficamos dependentes do celular, e na mais recente, diz que sua psiquiatra não acha que ela está viciada, mas não acredita.

Inspirado por uma ilustração do brasileiro Felipe Luchi que mostra um iPhone como uma prisão, Jesus Diaz, editor do site Gizmodo, um dos mais conhecidos loucos por gadgets e tecnologia, fez um contundente editorial conclamando seus leitores a se livrar da dependência dos gadgets. No título, ele diz que a imagem do iPhone como prisão é “a definição perfeita desta nossa maldita vida digital”. E no primeiro parágrafo, não mede as palavras. “Somos prisioneiros de nossos celulares e tablets e toda essa porcaria digital. Eu sou. Você é. Nós todos somos. Nós somos sugados por essas máquinas estúpidas, vemos a realidade através delas. Em vez de nos empoderar, nós insistimos em dar a elas nosso poder. Nós até anexamos nossos sentimentos a elas. Isso é triste”.

Diaz afirma que não devemos culpar os aparelhos ou o avanço da tecnologia, que é inevitável, e sim nós mesmos. Mas os gadgets sempre conectados facilitaram a tendência da vida moderna de nos isolar do contato humano, da vida ao ar livre, dos encontros físicos, e substituí-los pelas interações intermediadas pelos aparelhos e redes. “Esses aparelhos foram desenvolvidos para serem janelas, mas nós insistimos em transformá-los em muros; eles envolvem nossa vida e escondem a realidade. Eles se tornaram lentes grossas através das quais nós literalmente vemos o mundo que está lá bem diante dos nossos olhos”, diz.

Para o articulista a solução não é abandonar a internet ou os gadgets, mas sim usá-los de forma mais sensível e consciente. “É como qualquer outra substância que vicie. Eu gosto de um bom whisky, mas não preciso beber três garrafas por dia. Posso fazer o mesmo e não ficar o dia inteiro pendurado nos celulares, tablets ou computadores. Posso brincar mais de Lego, tocar mais piano. Sair mais. Não usar o celular nunca quando estou com outras pessoas. Ler. Andar. Ir ao cinema. Criar algo com minhas próprias mãos. Fazer algo real. Eu já faço essas coisas, mas quero fazer mais. Quero estar menos conectado no mundo virtual, e mais conectado com coisas tangíveis. Ler menos suas porcarias de tweets e atualizações do Facebook e Instagrams. Isso tem a ver com voltar a ter algum tipo de controle. Algum autocontrole. Eu sei que já fiz isso antes e me senti bem. Agora eu tenho que me agarrar a isso. Talvez um sabático de dois meses seja um bom começo”.

O difícil é que estamos tão habituados a estar sempre grudados nos gadgets que se tornou algo automático, temos que ter a decisão consciente de nos livrarmos deles um pouco. É fácil esquecer disso e voltar à dependência. Talvez um bom e velho sistema analógico pra lembrar disso pode ajudar, como colocar um post-it no espelho do banheiro escrito “não vai ficar o dia todo pendurado no iPhone hoje!” E mais difícil ainda é ensinar as crianças, que já nascem imersas nesse mundo e com dois anos deslizam os dedinhos pela tela do iPad como se fosse a coisa mais natural do mundo, a deixar os aparelhinhos um pouco de lado. A educação, na escola e dentro de casa, conta muito nessa hora. Não adianta proibir os pequenos de usar os gadgets, mas ensiná-los a usar com consciência e responsabilidade. Aliás, a questão da educação nessa nossa Era Digital é importantíssima e merece um ou mais posts aqui! Temos hoje um incrível mundo de informação e produção de conhecimento e cultura possibilitado pela tecnologia digital, mas só com uma boa educação podemos ensinar a usar bem todas essas possibilidades. Aguardem que a discussão é boa e vai longe!

Será que a Apple deixou de ser cool?

O ano de 2013 começou mal para a Apple. A empresa que é hoje a mais valiosa do globo no mercado de ações e considerada a marca mais poderosa do mundo pela revista Forbes enfrenta uma série de más notícias após a morte do seu fundador e símbolo Steve Jobs, em outubro de 2011.

Os lançamentos que a empresa anunciou em 2012, principalmente o iPhone 5, o iPad 4 e o iPad Mini, não trouxeram nenhuma novidade revolucionária, e o sistema operacional iOS 6 recebeu fortes críticas, principalmente devido ao aplicativo de mapas Apple Maps, repleto de bugs. Enquanto isso, as empresas concorrentes, como a Samsung e a Microsoft, com uma estratégia agressiva de preços e propaganda, já começam a dar trabalho e afetar a soberania da Apple no segmento de smartphones e tablets.

Na semana passada, as ações da Apple sofreram uma forte queda após a notícia de que a empresa vai cortar pela metade os pedidos de telas para o iPhone devido à baixa demanda. Nesta quarta-feira (15), o vice-presidente de varejo da Apple Jerry McDougal deixou a empresa.

Muitos analistas e até o ex-CEO da Apple John Sculley acreditam que a empresa da maçã precisa criar produtos mais baratos, e há fortes boatos sobre uma versão mais barata do iPhone, com revestimento de plástico, para fazer frente aos smartphones mais baratos da concorrência, principalmente a linha Galaxy da Samsung. Essa estratégia aumentaria as vendas nos mercados emergentes e entre os consumidores mais jovens.

E é esse o mercado que parece estar escapando das mãos da marca da maçã. Talvez a notícia mais preocupante para a marca que se tornou sinônimo de cool é uma pesquisa realizada pelo Buzz Marketing Group e divulgada pela revista Forbes mostrando que a Apple não é mais vista como cool entre os adolescentes. A conclusão da pesquisa é o que todo mundo que já foi adolescente sabe: se seus pais usam determinado produto, ele logicamente não é legal. O iPhone foi lançado em 2007 e se tornou o padrão do mercado de smartphones, e agora está nas mãos de todo mundo, incluindo seus pais, seus professores, seu dentista… Além disso, os pais estão preferindo dar aos filhos modelos mais baratos, com o sistema operacional Android, do que dar a eles seu iPhone usado.

A Samsung está aproveitando essa deixa com uma agressiva campanha de marketing mostrando o iPhone como coisa de gente velha, enquanto o Galaxy SIII, seu modelo top de linha, é o celular do futuro, com tecnologia de última geração. As campanhas também tiram sarro do absurdo de ter que esperar horas numa fila para comprar um celular recém-lançado, prática comum a cada novo lançamento de iPhone. A Microsoft, antiga soberana, está investindo pesado no tablet Surface e no Windows Phone, e também já começa a ver os resultados.

Claro que a Apple ainda tem muita “gordura pra queimar”. A própria Forbes diz que a notícia de corte nas encomendas de componentes do iPhone não é tão ruim assim, pois o plano inicial, de 65 milhões de telas de LCD, era extremamente alto, já que foram cerca de 45 milhões de unidades produzidas no trimestre anterior, que conta o Natal, e o primeiro trimestre do ano geralmente tem vendas mais fracas.

A mais recente pesquisa de intenção de compra 451 ChangeWave Research mostra que o desejo de ter um iPhone ainda é 2,5 vezes maior do que um Samsung. Mas hoje 50% dos consumidores querem comprar o celular da Apple, enquanto em setembro de 2012, quando o iPhone 5 foi lançado, era de 71%, enquanto os números da Samsung subiram de 19% quando o Gallaxy SIII foi lançado para 21% agora. Mais impressionante é ver que em setembro de 2011 apenas 5% dos consumidores queriam comprar smartphones da Samsung.

Mas ao que tudo indica a empresa que virou um ícone dos nossos tempos pela constante inovação vai ter que se reinventar mais uma vez para se manter no topo. Fundada em 1976, a Apple revolucionou o mercado dos computadores pessoais, dos aparelhos de ouvir música e dos celulares, e praticamente inventou o mercado dos tablets. Mas está cada vez mais difícil surpreender o consumidor. Será que sem o carisma e as ideias de Jobs ela vai conseguir revolucionar novamente?