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A neutralidade da rede está ameaçada?

A revista Wired, considerada a “Bíblia” da Era Digital, lança um alerta em um artigo de opinião assinado por Marvin Amori: a internet como você conhece (e ama), vai acabar. Ainda não se sabe quando, mas o destino é inevitável. No caso, a “internet como a gente conhece” que está ameaçada é um dos seus princípios mais básicos: a chamada “neutralidade da rede”.  Explicando grosseiramente, neutralidade da rede quer dizer que as empresas de telecomunicação e provedores de acesso que levam a internet até a sua casa não podem discriminar o tipo de dado que você acessa. Não pode, por exemplo, vender um pacote de internet que só dê acesso a e-mail e redes sociais, ou limitar a velocidade de acesso a quem baixa muito conteúdo em sites de torrent.

Hoje, você contrata um plano de internet banda larga de determinada velocidade e teoricamente pode acessar qualquer tipo de conteúdo com esta mesma velocidade (que, claro, quase sempre é na prática menor que a anunciada, para saber qual sua velocidade real, clique aqui). Sem a neutralidade da rede, sua operadora de internet pode cobrar mais caro se você faz muitos downloads, ou até bloquear o acesso a torrents, vídeos e outros serviços que eles considerem impróprios.

Segundo o artigo da Wired, é justamente isso que as grandes empresas de telecomunicações que controlam a infraestrutura da internet querem, e nos Estados Unidos, país que é sede da maioria destas empresas e por onde circula a maior parte dos dados da internet, elas estão próximas de conseguir este objetivo. O texto informa que nos próximos meses o tribunal federal do Distrito de Colúmbia, onde fica a capital norte-americana Washington, e que na prática é o segundo tribunal mais poderoso dos EUA, atrás apenas da Suprema Corte, deve votar para  derrubar a lei de neutralidade da rede adotada em 2010 pela Federal Communications Comission (FCC), o órgão que controla as telecomunicações no país.

Em 2006 uma decisão da FCC determinou que os provedores não podiam bloquear acesso a determinados websites, mas poderiam fazer o “traffic shaping”, ou seja, limitar a velocidade de acesso a estes sites. Uma intensa campanha liderada por empresas de tecnologia e ativistas levou a FCC a derrubar essa regra em 2010. As grandes empresas de telecom americanas, lideradas por AT&T, Verizon e Comcast, recorreram e a decisão final deve sair em breve, e segundo o autor do texto, que acompanhou de perto os debates, os juízes devem decidir a favor das operadoras de telefonia. E para ele, isso pode significar uma mudança radical do mercado, em que empresas de tecnologia, web e mobile vão sobreviver não por suas inovações ou oferta de serviços de qualidade, mas pela capacidade de fazer acordos com as operadoras e pagar para que o acesso aos seus serviços não seja discriminado. Para ele, isso seria o fim da meritocracia na rede. Uma nova startup com ideias inovadoras, bons profissionais e investidores, pode não sobreviver se as operadoras “não forem com a cara” do serviço que ela oferece.

E aqui no Brasil? Todos sabemos que as empresas de telecomunicações que provém o acesso à internet por aqui têm sérios problemas de infraestrutura e investimento, o que leva à uma baixa qualidade geral no acesso à internet, com velocidades sempre bem menores do que as anunciadas, frequentes quedas de sinal e cobrando preços salgados, e já foi comprovado que muitas operadoras fazem o traffic shaping. No Brasil também vivemos um suspense sobre o futuro da internet. Já há algum tempo tramita no Congresso Nacional, entre muitas idas e vindas e indefinições, o projeto de lei do Marco Civil da Internet, uma espécie de “constituição” da rede, que garanta os direitos e deveres dos usuários e provedores. Com a revelação da espionagem por parte da NSA (Agência de Segurança Nacional) dos Estados Unidos de mensagens e dados da presidenta Dilma Rousseff e de empresas como a Petrobras, a votação do Marco Civil entrou em regime de urgência na Câmara dos Deputados, e o governo federal pediu para o relator Alessandro Molon (PT-RJ) incluir no texto novos pontos que estão sendo fortemente contestados, como a obrigatoriedade da criação de data centers no Brasil para o armazenamento de dados dos usuários brasileiros. Uma das vozes críticas a esta inciativa é de Carlos A. Afonso, membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil, em artigo para o portal IDGNow!

A neutralidade da rede é considerada o principal ponto do projeto do Marco Civil, que foi construído em um processo colaborativo através de audiências públicas, mas que após chegar ao Congresso foi alvo de um intenso lobby das teles brasileiras e de grandes grupos de mídia, em especial a Globo. O relator diz que a neutralidade é um ponto inegociável do projeto, informa uma matéria do portal G1, mas outras questões, como os data centers sediados no Brasil, devem ser alterados. Nesta terça-feira (5), o deputado apresentou a versão final do relatório.

Outra matéria, do portal Telesíntese, especializado no mercado de telecomunicações, informa que as teles e a Globo, que até então divergiam na questão na neutralidade da rede, fecharam um acordo que mantém o conceito de neutralidade, mas mantendo o “traffic shaping”, uma proposta bem parecida com a apresentada nos Estados Unidos. Além disso, a proposta libera as teles para cobrar por volume de dados transmitidos, algo que a Globo até agora era radicalmente contra, pois considerava que podia ter impacto na audiência de seus produtos audiovisuais transmitidos pela internet.

Bem, o assunto é complexo e envolve diversas questões técnicas, mas interessa a todos nós que buscamos informação e trabalhamos na internet! Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos, mas por hora, qual é a sua opinião sobre essa questão? Compartilhe seu pensamento com a gente nos comentários!

Pinterest introduz “pins promocionados” para marcas

Em fevereiro de 2012, falamos pela primeira vez aqui sobre o Pinterest, uma rede social que na época era a grande novidade, com sua interface de “boards” onde você “pinava” fotos de inspiração divididas por temas. Desde então, o Pinterest continuou crescendo e se tornando mais relevante, principalmente no mercado norte-americano, e hoje ele se consolidou como a terceira maior rede social do planeta, com mais de 70 milhões de usuários, ficando apenas atrás do Facebook e Twitter, segundo o Semiocast.  A pesquisa mostra que 71% dos cadastrados no Pinterest são dos Estados Unidos, mas o número de usuários de outros países vem crescendo gradativamente.

O Pinterest parece um território fértil para marcas e empresas apostarem em páginas próprias, afinal boa parte do conteúdo “pinado” são desejos de consumo, principalmente do segmento de moda, decoração e festas de casamento. No entanto, a adesão das marcas à plataforma tem sido tímida. Desde o começo deste ano, a rede criou contas business, que permitem monitorar a performance e engajamento do canal. Mas até o mês de junho, havia apenas 500 mil contas business. O próprio fundador do Pinterest, Ben Silbermann, se encarregou de tentar virar esse jogo. Ele assinou um e-mail em tom pessoal para os administradores de contas business para anunciar o lançamento de “pins promocionados”.

Ben garante que essa forma de publicidade, que ele considera necessária para que o Pinterest “esteja aqui para ficar”, vai ser discreta e não irá irritar o usuário com banners ou outros recursos invasivos, e terá transparência, sempre informando quais são os pins patrocinados e relevância, trazendo sempre algo do interesse do usuário, além de prometer melhorias baseadas na opinião do público. “Como um primeiro teste, vamos promover alguns pins em resultados de pesquisas e feeds de categorias. Por exemplo, podemos promover um pin para uma roupa de Darth Vader de uma loja de fantasias numa pesquisa por ‘halloween’. Por enquanto, ninguém está pagando por nada. Queremos ver no que vai dar e, principalmente, ouvir seus comentários.”

Pois é, vamos ver se dá certo. O Facebook tem sido muito agressivo com sua política de cobrar cada vez mais das páginas de marcas e empresas para que o conteúdo delas seja visto pelos fãs, o que tem gerado muitas reclamações dos administradores de páginas. Ser mais uma rede social que vai cobrar para mostrar conteúdo pode ser uma estratégia arriscada para o Pinterest, mas como o próprio Ben Silbermann dá a entender, essa é a principal forma da rede gerar renda e garantir sua sustentabilidade financeira.  O Twitter, que está às vésperas de abrir a venda de suas ações na bolsa eletrônica Nasdaq, também está inserindo cada vez mais publicidade na timeline dos usuários.

Como dissemos, aqui no Brasil o Pinterest ainda não “pegou” como uma rede social de massa, mas em segmentos de nicho ele pode funcionar muito bem. Uma pesquisa do blog E-Commerce Brasil mostra que a maioria das grandes redes de varejo não usa efetivamente a ferramenta. Algumas das que utilizam, como as Casas Bahia, o Ponto Frio e o Extra, focam em listas de casamento. Algumas marcas mais “descoladas”, como a Imaginarium, exploram de forma mais estratégica as características da rede.

Nós da Absoluto acreditamos no potencial do Pinterest, e estamos começando a desenvolver um trabalho estratégico para o Pinterest de um de nossos clientes, a Timberland Brasil! Acompanhe os boards e pins e nos conte o que está achando!

 

 

 

Os adolescentes não ligam mais para o Facebook?

Há mais de um ano, já falávamos aqui no blog que o Facebook, a maior e mais importante rede social do planeta, estava atraindo usuários mais velhos e, em contrapartida, afastando os mais jovens, que pareciam não achar o site de Mark Zuckerberg “cool” como era antes. E os últimos dados de pesquisas da Pew Ressearch sobre o comportamento dos usuários das redes sociais confirmam essa tendência.

Segundo os dados mais recentes, divulgados no final de maio, o Facebook ainda é de longe a rede social mais acessada pelos adolescentes entre 12 e 17 anos, com 77% de penetração. Mas eles estão usando menos o ambiente virtual do Facebook, e se preocupando mais com o que postam na rede. Foi-se o tempo de compartilhar tudo que acontecia em suas vidas. Metade dos que responderam a pesquisa já deletaram posts ou comentários ou se desmarcaram de fotos em que foram marcados, 75% já excluíram pessoas de suas redes e 58% bloquearam alguém.

Ao contrário dos usuários mais velhos, os adolescentes não se preocupam tanto com o uso de suas informações privadas por terceiros no Facebook. O problema deles é com o “drama” e a pressão de manter um perfil na rede social: o que postar ou não, qual deve ser a foto de perfil, quem deve ser seu amigo e pode ver o que você posta, etc. Segundo uma matéria do site The Verge que analisou a mais recente pesquisa, isso pode ter a ver com o fato de o Facebook ser hoje um “espelho” das interações diárias e da vida social “offline” dos adolescentes: seus parentes, colegas e professores da escola, estão todos lá, e os dilemas sociais que acompanham essa vida social, como as “panelinhas” da escola e até casos de bullying, contaminam sua presença no Facebook.

Segundo a matéria do The Verge, os adolescentes por enquanto não estão deletando seus perfis, o chamado “Facebookcídio”, mas começam a se voltar para outras redes sociais onde há menos pressão e eles podem ser mais eles mesmos. Um dado importante da pesquisa é que o número de adolescentes utilizando o Twitter saltou de 16% para 24% no último ano, confirmando a tendência que também apontamos aqui no ano passado. E cada vez mais o Instagram, outra rede que já mostramos aqui como uma ameaça ao reinado do Facebook, e que foi comprado pela empresa de Mark Zuckerberg por US$ 1 bilhão no ano passado, e o Tumblr, que recentemente foi adquirido pelo Yahoo! pela mesma quantia, disputam as atenções dos “teens”. E no próximo post vamos falar mais sobre o Tumblr, o que atrai tantos jovens e porque ele vale o valor bilionário pago pelo Yahoo! Fique ligado!

Como não ser prisioneiro do seu gadget

Você é daqueles que antes mesmo de sair da cama pega o smartphone para checar o e-mail, o Twitter, o Facebook, o Instagram? E à noite, é capaz de dormir segurando o celular como se fosse um bichinho de pelúcia? Na happy hour, os amigos reclamam que em vez de conversar você fica só mexendo no celular? Quando vai a um show, fica tirando fotos e gravando vídeos e acaba vendo o artista que está lá, ao vivo na sua frente, pela telinha do iPhone? Talvez você tenha um problema. E não está sozinho. A compulsão por estar sempre conectado já é reconhecido como um distúrbio, e com a popularização dos gadgets que estão sempre ligados, afeta cada vez mais gente.

A jornalista Marion Strecker é uma das pioneiras da internet no Brasil. Foi co-fundadora do UOL e diretora de conteúdo do portal de 1996 a 2011, além de ser correspondente no Vale do Silício. Em suas colunas para a Folha de S. Paulo, ela mostra um olhar crítico à dimensão que a internet ganhou nas nossas vidas, e nas mais recentes, admite ser viciada em internet. Mas como ela identificou o vício? “A produtividade em queda, a ansiedade em alta, a mania de pular de aparelho em aparelho, de aplicativo em aplicativo, de rede social em rede social, sem necessidade nenhuma, sem objetivo definido, vagando pelo mundo on-line como zumbi”.

Ela diz que está tentando mudar isso, e garante que não tinha nenhuma compulsão ou vício antes de se dar conta que está viciada na internet. Entre as medidas para tentar superar a compulsão, ela restringiu o Facebook para funcionar apenas como uma agenda de contatos e “proibiu” os gadgets ligados à rede dentro do quarto de dormir, e diz estar preocupada com a filha de 14 anos, que fica o dia inteiro grudada no iPhone para falar com os amigos pelo Facebook, Twitter, WhatsApp, Instagram, etc. Em uma coluna, mostra como ficamos dependentes do celular, e na mais recente, diz que sua psiquiatra não acha que ela está viciada, mas não acredita.

Inspirado por uma ilustração do brasileiro Felipe Luchi que mostra um iPhone como uma prisão, Jesus Diaz, editor do site Gizmodo, um dos mais conhecidos loucos por gadgets e tecnologia, fez um contundente editorial conclamando seus leitores a se livrar da dependência dos gadgets. No título, ele diz que a imagem do iPhone como prisão é “a definição perfeita desta nossa maldita vida digital”. E no primeiro parágrafo, não mede as palavras. “Somos prisioneiros de nossos celulares e tablets e toda essa porcaria digital. Eu sou. Você é. Nós todos somos. Nós somos sugados por essas máquinas estúpidas, vemos a realidade através delas. Em vez de nos empoderar, nós insistimos em dar a elas nosso poder. Nós até anexamos nossos sentimentos a elas. Isso é triste”.

Diaz afirma que não devemos culpar os aparelhos ou o avanço da tecnologia, que é inevitável, e sim nós mesmos. Mas os gadgets sempre conectados facilitaram a tendência da vida moderna de nos isolar do contato humano, da vida ao ar livre, dos encontros físicos, e substituí-los pelas interações intermediadas pelos aparelhos e redes. “Esses aparelhos foram desenvolvidos para serem janelas, mas nós insistimos em transformá-los em muros; eles envolvem nossa vida e escondem a realidade. Eles se tornaram lentes grossas através das quais nós literalmente vemos o mundo que está lá bem diante dos nossos olhos”, diz.

Para o articulista a solução não é abandonar a internet ou os gadgets, mas sim usá-los de forma mais sensível e consciente. “É como qualquer outra substância que vicie. Eu gosto de um bom whisky, mas não preciso beber três garrafas por dia. Posso fazer o mesmo e não ficar o dia inteiro pendurado nos celulares, tablets ou computadores. Posso brincar mais de Lego, tocar mais piano. Sair mais. Não usar o celular nunca quando estou com outras pessoas. Ler. Andar. Ir ao cinema. Criar algo com minhas próprias mãos. Fazer algo real. Eu já faço essas coisas, mas quero fazer mais. Quero estar menos conectado no mundo virtual, e mais conectado com coisas tangíveis. Ler menos suas porcarias de tweets e atualizações do Facebook e Instagrams. Isso tem a ver com voltar a ter algum tipo de controle. Algum autocontrole. Eu sei que já fiz isso antes e me senti bem. Agora eu tenho que me agarrar a isso. Talvez um sabático de dois meses seja um bom começo”.

O difícil é que estamos tão habituados a estar sempre grudados nos gadgets que se tornou algo automático, temos que ter a decisão consciente de nos livrarmos deles um pouco. É fácil esquecer disso e voltar à dependência. Talvez um bom e velho sistema analógico pra lembrar disso pode ajudar, como colocar um post-it no espelho do banheiro escrito “não vai ficar o dia todo pendurado no iPhone hoje!” E mais difícil ainda é ensinar as crianças, que já nascem imersas nesse mundo e com dois anos deslizam os dedinhos pela tela do iPad como se fosse a coisa mais natural do mundo, a deixar os aparelhinhos um pouco de lado. A educação, na escola e dentro de casa, conta muito nessa hora. Não adianta proibir os pequenos de usar os gadgets, mas ensiná-los a usar com consciência e responsabilidade. Aliás, a questão da educação nessa nossa Era Digital é importantíssima e merece um ou mais posts aqui! Temos hoje um incrível mundo de informação e produção de conhecimento e cultura possibilitado pela tecnologia digital, mas só com uma boa educação podemos ensinar a usar bem todas essas possibilidades. Aguardem que a discussão é boa e vai longe!