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Fugindo dos pais, adolescentes migram para o Twitter

Por algum tempo, se acreditou piamente que o público adolescente não iria nunca aderir em massa ao Twitter. As estatísticas dos primeiros anos de vida da rede de microblogs davam razão a essa ideia. Em 2009, apenas 16% dos usuários do Twitter tinham menos de 25 anos.

Aí vieram as teorias de porque isso acontecia. O site Mashable, em agosto de 2009, fez um artigo dizendo que o site do passarinho não pegava entre a galera mais jovem porque o Twitter, ao contrário de outras redes sociais mais adotadas pelos teens, como o Facebook e o MySpace, não tem como foco a rede de amizades, e nesta idade, como sabemos, a amizade é tudo.

No Twitter, você tende mais a seguir pessoas interessantes e que trazem conteúdos legais ou notícias em primeira mão, sem necessariamente conhecê-los, enquanto outras redes são para os adolescentes uma extensão virtual do círculo de amizades e panelinhas da escola, do curso de inglês, do acampamento de férias…

O Mashable também afirmava na época que o Twitter era um eficiente instrumento de autopromoção, para empresas, celebridades, blogueiros e especialistas em um determinado assunto, e os adolescentes não tem muito o que falar nestes campos. Atualizações de status falando sobre como a escola é um saco ou como tal celebridade é linda são mais eficazes no Facebook. Mas o artigo dizia que muito provavelmente os teens iam acabar adotando o Twitter em algum momento, embora o público acima de 25 anos continuaria a dominar a ferramenta.

Bem, cerca de dois anos depois, os adolescentes finalmente invadiram o Twitter. As estatísticas mais recentes mostram que a base de usuários com menos de 17 anos dobrou em um ano, de 8% para 16%. E a razão é intimamente ligada ao fato das pessoas mais velhas (os pais, tios e até avós dos adolescentes), como já mostramos aqui, terem descoberto o Facebook. Afinal, tudo o que um adolescente não quer é seus pais bisbilhotando o que eles conversam com os amigos ou os paqueras, e no Facebook tudo é muito aberto.

Uma matéria da Associated Press, reproduzida na Folha Online, explica bem essa dinâmica. E é só espiar os Trending Topics do Twitter nos últimos tempos para ver que temas tipicamente adolescentes, como a adoração pelo astro pop Justin Bieber e outros ídolos teens, tomaram de assalto os assuntos mais comentados da rede, claro que ainda disputando espaço com tópicos mais “sérios”.

Segundo a matéria da AP, o fato das mensagens de até 140 caracteres do Twitter serem similares aos SMS de celular, a que os adolescentes já estão bem acostumados, ajuda nessa migração. E boa parte deles acessa o Twitter em seus celulares e smartphones mesmo. Além disso, no Facebook, a tendência é adicionar todo mundo que você conhece, mas na rede de microblogs os teens tendem a seguir só seus amigos mais chegados, além dos seus artistas, atletas e celebridades preferidas, claro. E boa parte mantém suas contas privadas, para poder compartilhar seus segredos e confidências com os amigos sem medo.

Resta saber o que acontecerá à medida em que estes usuários adolescentes forem crescendo. E quando as crianças de hoje, que já nasceram conectadas, chegarem à puberdade? Com a velocidade cada vez maior de mudanças e novas tendências chegando às redes sociais, é quase impossível prever qual será a próxima revoada virtual. Algum palpite?