absoluto

Como não ser prisioneiro do seu gadget

Você é daqueles que antes mesmo de sair da cama pega o smartphone para checar o e-mail, o Twitter, o Facebook, o Instagram? E à noite, é capaz de dormir segurando o celular como se fosse um bichinho de pelúcia? Na happy hour, os amigos reclamam que em vez de conversar você fica só mexendo no celular? Quando vai a um show, fica tirando fotos e gravando vídeos e acaba vendo o artista que está lá, ao vivo na sua frente, pela telinha do iPhone? Talvez você tenha um problema. E não está sozinho. A compulsão por estar sempre conectado já é reconhecido como um distúrbio, e com a popularização dos gadgets que estão sempre ligados, afeta cada vez mais gente.

A jornalista Marion Strecker é uma das pioneiras da internet no Brasil. Foi co-fundadora do UOL e diretora de conteúdo do portal de 1996 a 2011, além de ser correspondente no Vale do Silício. Em suas colunas para a Folha de S. Paulo, ela mostra um olhar crítico à dimensão que a internet ganhou nas nossas vidas, e nas mais recentes, admite ser viciada em internet. Mas como ela identificou o vício? “A produtividade em queda, a ansiedade em alta, a mania de pular de aparelho em aparelho, de aplicativo em aplicativo, de rede social em rede social, sem necessidade nenhuma, sem objetivo definido, vagando pelo mundo on-line como zumbi”.

Ela diz que está tentando mudar isso, e garante que não tinha nenhuma compulsão ou vício antes de se dar conta que está viciada na internet. Entre as medidas para tentar superar a compulsão, ela restringiu o Facebook para funcionar apenas como uma agenda de contatos e “proibiu” os gadgets ligados à rede dentro do quarto de dormir, e diz estar preocupada com a filha de 14 anos, que fica o dia inteiro grudada no iPhone para falar com os amigos pelo Facebook, Twitter, WhatsApp, Instagram, etc. Em uma coluna, mostra como ficamos dependentes do celular, e na mais recente, diz que sua psiquiatra não acha que ela está viciada, mas não acredita.

Inspirado por uma ilustração do brasileiro Felipe Luchi que mostra um iPhone como uma prisão, Jesus Diaz, editor do site Gizmodo, um dos mais conhecidos loucos por gadgets e tecnologia, fez um contundente editorial conclamando seus leitores a se livrar da dependência dos gadgets. No título, ele diz que a imagem do iPhone como prisão é “a definição perfeita desta nossa maldita vida digital”. E no primeiro parágrafo, não mede as palavras. “Somos prisioneiros de nossos celulares e tablets e toda essa porcaria digital. Eu sou. Você é. Nós todos somos. Nós somos sugados por essas máquinas estúpidas, vemos a realidade através delas. Em vez de nos empoderar, nós insistimos em dar a elas nosso poder. Nós até anexamos nossos sentimentos a elas. Isso é triste”.

Diaz afirma que não devemos culpar os aparelhos ou o avanço da tecnologia, que é inevitável, e sim nós mesmos. Mas os gadgets sempre conectados facilitaram a tendência da vida moderna de nos isolar do contato humano, da vida ao ar livre, dos encontros físicos, e substituí-los pelas interações intermediadas pelos aparelhos e redes. “Esses aparelhos foram desenvolvidos para serem janelas, mas nós insistimos em transformá-los em muros; eles envolvem nossa vida e escondem a realidade. Eles se tornaram lentes grossas através das quais nós literalmente vemos o mundo que está lá bem diante dos nossos olhos”, diz.

Para o articulista a solução não é abandonar a internet ou os gadgets, mas sim usá-los de forma mais sensível e consciente. “É como qualquer outra substância que vicie. Eu gosto de um bom whisky, mas não preciso beber três garrafas por dia. Posso fazer o mesmo e não ficar o dia inteiro pendurado nos celulares, tablets ou computadores. Posso brincar mais de Lego, tocar mais piano. Sair mais. Não usar o celular nunca quando estou com outras pessoas. Ler. Andar. Ir ao cinema. Criar algo com minhas próprias mãos. Fazer algo real. Eu já faço essas coisas, mas quero fazer mais. Quero estar menos conectado no mundo virtual, e mais conectado com coisas tangíveis. Ler menos suas porcarias de tweets e atualizações do Facebook e Instagrams. Isso tem a ver com voltar a ter algum tipo de controle. Algum autocontrole. Eu sei que já fiz isso antes e me senti bem. Agora eu tenho que me agarrar a isso. Talvez um sabático de dois meses seja um bom começo”.

O difícil é que estamos tão habituados a estar sempre grudados nos gadgets que se tornou algo automático, temos que ter a decisão consciente de nos livrarmos deles um pouco. É fácil esquecer disso e voltar à dependência. Talvez um bom e velho sistema analógico pra lembrar disso pode ajudar, como colocar um post-it no espelho do banheiro escrito “não vai ficar o dia todo pendurado no iPhone hoje!” E mais difícil ainda é ensinar as crianças, que já nascem imersas nesse mundo e com dois anos deslizam os dedinhos pela tela do iPad como se fosse a coisa mais natural do mundo, a deixar os aparelhinhos um pouco de lado. A educação, na escola e dentro de casa, conta muito nessa hora. Não adianta proibir os pequenos de usar os gadgets, mas ensiná-los a usar com consciência e responsabilidade. Aliás, a questão da educação nessa nossa Era Digital é importantíssima e merece um ou mais posts aqui! Temos hoje um incrível mundo de informação e produção de conhecimento e cultura possibilitado pela tecnologia digital, mas só com uma boa educação podemos ensinar a usar bem todas essas possibilidades. Aguardem que a discussão é boa e vai longe!

Será que a Apple deixou de ser cool?

O ano de 2013 começou mal para a Apple. A empresa que é hoje a mais valiosa do globo no mercado de ações e considerada a marca mais poderosa do mundo pela revista Forbes enfrenta uma série de más notícias após a morte do seu fundador e símbolo Steve Jobs, em outubro de 2011.

Os lançamentos que a empresa anunciou em 2012, principalmente o iPhone 5, o iPad 4 e o iPad Mini, não trouxeram nenhuma novidade revolucionária, e o sistema operacional iOS 6 recebeu fortes críticas, principalmente devido ao aplicativo de mapas Apple Maps, repleto de bugs. Enquanto isso, as empresas concorrentes, como a Samsung e a Microsoft, com uma estratégia agressiva de preços e propaganda, já começam a dar trabalho e afetar a soberania da Apple no segmento de smartphones e tablets.

Na semana passada, as ações da Apple sofreram uma forte queda após a notícia de que a empresa vai cortar pela metade os pedidos de telas para o iPhone devido à baixa demanda. Nesta quarta-feira (15), o vice-presidente de varejo da Apple Jerry McDougal deixou a empresa.

Muitos analistas e até o ex-CEO da Apple John Sculley acreditam que a empresa da maçã precisa criar produtos mais baratos, e há fortes boatos sobre uma versão mais barata do iPhone, com revestimento de plástico, para fazer frente aos smartphones mais baratos da concorrência, principalmente a linha Galaxy da Samsung. Essa estratégia aumentaria as vendas nos mercados emergentes e entre os consumidores mais jovens.

E é esse o mercado que parece estar escapando das mãos da marca da maçã. Talvez a notícia mais preocupante para a marca que se tornou sinônimo de cool é uma pesquisa realizada pelo Buzz Marketing Group e divulgada pela revista Forbes mostrando que a Apple não é mais vista como cool entre os adolescentes. A conclusão da pesquisa é o que todo mundo que já foi adolescente sabe: se seus pais usam determinado produto, ele logicamente não é legal. O iPhone foi lançado em 2007 e se tornou o padrão do mercado de smartphones, e agora está nas mãos de todo mundo, incluindo seus pais, seus professores, seu dentista… Além disso, os pais estão preferindo dar aos filhos modelos mais baratos, com o sistema operacional Android, do que dar a eles seu iPhone usado.

A Samsung está aproveitando essa deixa com uma agressiva campanha de marketing mostrando o iPhone como coisa de gente velha, enquanto o Galaxy SIII, seu modelo top de linha, é o celular do futuro, com tecnologia de última geração. As campanhas também tiram sarro do absurdo de ter que esperar horas numa fila para comprar um celular recém-lançado, prática comum a cada novo lançamento de iPhone. A Microsoft, antiga soberana, está investindo pesado no tablet Surface e no Windows Phone, e também já começa a ver os resultados.

Claro que a Apple ainda tem muita “gordura pra queimar”. A própria Forbes diz que a notícia de corte nas encomendas de componentes do iPhone não é tão ruim assim, pois o plano inicial, de 65 milhões de telas de LCD, era extremamente alto, já que foram cerca de 45 milhões de unidades produzidas no trimestre anterior, que conta o Natal, e o primeiro trimestre do ano geralmente tem vendas mais fracas.

A mais recente pesquisa de intenção de compra 451 ChangeWave Research mostra que o desejo de ter um iPhone ainda é 2,5 vezes maior do que um Samsung. Mas hoje 50% dos consumidores querem comprar o celular da Apple, enquanto em setembro de 2012, quando o iPhone 5 foi lançado, era de 71%, enquanto os números da Samsung subiram de 19% quando o Gallaxy SIII foi lançado para 21% agora. Mais impressionante é ver que em setembro de 2011 apenas 5% dos consumidores queriam comprar smartphones da Samsung.

Mas ao que tudo indica a empresa que virou um ícone dos nossos tempos pela constante inovação vai ter que se reinventar mais uma vez para se manter no topo. Fundada em 1976, a Apple revolucionou o mercado dos computadores pessoais, dos aparelhos de ouvir música e dos celulares, e praticamente inventou o mercado dos tablets. Mas está cada vez mais difícil surpreender o consumidor. Será que sem o carisma e as ideias de Jobs ela vai conseguir revolucionar novamente?

Para lembrar 2012

O ano está quase no fim. Para a Absoluto, 2012 foi cheio de desafios e fortes emoções! Trabalhamos em projetos de Mídias Sociais super bacanas, planejando, criando campanhas e gerando conteúdo para empresas como Brastemp, Consul, Tok&Stok, Coface, Timberland, BossaNovaFilms, Jacques Janine, C&A etc. Mudamos de escritório e ganhamos um jardim lindo, com árvores frutíferas e um monte de espaço para os nossos mascotes -os gatos persas Mutante e Yoda, e o Yorkshire Bambam- fazerem a festa.

Para o mundo, também foi um ano intenso. Em Londres, Oscar Pistorius sagrou-se como o primeiro atleta sem parte das pernas a participar de uma Olimpíada. Barack Obama reelegeu-se presidente dos EUA, o Facebook fez seu IPO e comprou o Instagram, Oscar Niemeyer partiu desse mundo, com 104 anos e Dona Canô, com 105, o Corinthians ganhou sua primeira Libertadores da América, o Ciclone Sandy fez um estrago nos EUA e o paraquedista austríaco Felix Baumgartner quebrou a barreira do som em uma queda livre saltando da estratosfera, a 39km de altitude.

O Google divulgou recentemente seu Zeitgeist, resumo do que foi mais buscado no Brasil e no mundo durante o ano no site. A palavra “Face“ foi a mais pesquisada por aqui, prova de que o Facebook de Mark Zuckerberg continua reinando entre os brasileiros. Também está entre os 10 mais o BBB12, a novela Avenida Brasil e, na sexta posição, as Eleições 2012. Olha só o vídeo que o Google preparou para mostrar o que foi mais buscado no mundo em 2012.

E a retrospectiva de 2013 do que foi mais assistido no Brasil no Youtube tem Michel Teló, Luiza no Canadá, Pôneis Malditos, Gangnam Style, Para nossa alegria… Olha só.

E que venha 2013! A gente espera que seja um ano cheio de notícias boas para curtir e compartilhar :)

Facebook decreta guerra aos fakes

Atrás da tela do computador dá pra ser mais jovem, mais bonito, endinheirado e até assumir outra identidade. Mas a já manjada onda de ilegitimidade que circula na web parece estar com os dias contados – pelo menos no território “facebookiano” de Mark Zuckerberg.

A iniciativa da rede social mais popular da atualidade vai intensificar o monitoramento e banir esses “mentirosinhos”, conhecidos como fakes. Desde a semana passada o Facebook vem deletando milhares de contas de usuários fakes e eliminando “curtidas” geradas por malwares e muitas vezes compradas pelas marcas que se promovem na rede – sem mencionar o fato de que alguns internautas têm sido questionados sobre a legitimidade de seus amigos por meio de perguntas em sigilo que indagam se determinados usuários estão utilizando seus nomes reais na rede.

Muitas fan pages já foram afetadas – bons exemplos são as páginas das cantoras Lady Gaga, que perdeu 31.700 likes e Rihanna, que agora tem 22 mil fãs a menos, além do popular jogo Texas HoldEm Poker, que perdeu quase 100 mil likes.

Além de propor um novo olhar, a guerra aos fakes propõe um espaço mais autêntico, confiável e transparente aos usuários desta rede social; contudo, se existe um nicho onde o buzz acerca da discussão realmente se instalou, foi entre os social medias.

Em tempos que o número de fãs é proporcional à reputação de uma marca, a notícia não foi bem recebida pelos “fanfarrões“ que vendem ou compram audiência para páginas no Facebook por centavos (é só dar uma busca rápida para conhecer as promessas de popularidade no Facebook a custos módicos).

Apesar do Facebook ter assegurado uma queda máxima de 1% de fãs nas fan pages (o que a princípio não parece quase nada), muitas páginas novas podem se sentir ameaçadas e comprometidas com a “expulsão” dos “camaradinhas” que preenchiam algumas lacunas e distribuíam “likes”. Mas pense: não é muito mais válido atrair e garantir uma audiência seleta e fiel ao seu cliente, que realmente trarão retorno para a marca? Sob essa linha tênue, as métricas deixam de ser apenas números e passam a representar uma fonte límpida de resultados e um universo real a ser explorado.

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